quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Perca / Perda

Confusão das mais comuns, cada uma das palavras se aplica a um contexto específico.

  • PERCA não funciona como substantivo. Ou presente do subjuntivo, ou imperativo - afirmativo e negativo.
- Espero que perca! Não é merecedor de tal prêmio.
- Embora eu perca, darei continuidade aos meus projetos.
- Não perca isso, por favor.

  • PERDA é um substantivo deverbal: formado de perder. Pode vir acompanhado de artigo, adjetivo, pronome, numeral, etc.
- As bolsas de todo o mundo amargaram perdas consecutivas.
- Infelizmente, perda total. Acione sua seguradora o quanto antes.

Ferramentas para REDAÇÃO

A importância da cultura Geral na REDAÇÃO
Uma analogia só funciona bem se o autor for capaz de:
a) Ler adequadamente o tema:
-Analisar  suas várias implicações: sociais, políticas, econômicas e sociais.
-Selecionar apenas as implicações que lhe interessam.
b) Interpretar as entrelinhas:
-Quais as intenções de quem deu o tema? Por que exatamente esse tema?
-O que esse tema tem a ver comigo? Com o meu universo social? Com o mundo em que vivo?
-O que é senso comum nos textos auxiliares? O que é inusitado?
-O que se pode aproveitar do que está escrito para ser usado como fio condutor?

c) Relacionar ideias:
- quais as implicações históricas do tema? É possível prever o que ele projeta?
-há possibilidades de relacionar o tema com a literatura? Ao cinema, pintura , escultura…
- a partir de um relato histórico, literário, imaginário, é possível discutir o tema?
d) Vivência linguística:
Encontrar as palavras adequadas para expressar suas ideias.
Utilizar as conjunções adequadas para estabelecer as relações de sentido entre as orações.
Usar recursos de estilo para tornar o texto mais didático e, por isso, mais acessível ao leitor.
Usar recursos de estilo para fugir ao senso comum e evitar repetições desnecessárias.

Muitos alunos confundem analogia x comparação.
A analogia difere da comparação, porque dispensa a presença da conjunção COMO e assume caráter poético. A analogia é um processo metafórico. Construí-la, do início ao fim de um texto, é uma operação sofisticada que envolve:
Uma excelente leitura do tema proposto;
Cultura pessoal;
Grande capacidade de observação;
Criatividade para estabelecer relações de ideias.
Grande abraço no coração de todos e até a próxima.

Contato

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Mande suas dúvidas e na medida irei respondendo.
rfallaci@alincafrancesa.com.br

Regras ortográficas

A pedidos de amigos e leitores um novo post a respeito das novas regras de Ortografia. Abaixo coloquei as principais mudanças.

Principais Mudanças
- As paroxítonas terminadas em “o” duplo não terão mais acento circunflexo. Ao invés de “abençôo”,“enjôo” ou “vôo”, será “abençoo”, “enjoo” e “voo”.
- Não se usará mais o acento circunflexo nas terceiras pessoas do plural do presente do indicativo ou do substantivo dos verbos “crer”, “dar”, “ler”,”ver” e seus decorrentes, ficando correta a grafia “creem”, “deem”, “leem” e “veem”.
- O hífen vai desaparecer do meio de palavras, com exceção daquelas cujo prefixo termina em “r”, casos de “hiper”, “inter” e “super”. Assim, passaremos a ter “extraescolar”, “aeroespacial” e “autoestrada.
- O hífen passa a ser utilizado em palavras compostas cuja última letra do primeiro elemento é igual à primeira letra do segundo, como: micro-ondas, anti-inflamatório.
- Criação de alguns casos de dupla grafia para fazer diferenciação, como o uso do acento agudo na primeira pessoa do plural do pretérito perfeito dos verbos da primeira conjugação, tais como “louvámos” em oposição a “louvamos” e “amámos” em oposição a “amamos”.
- O trema (brasileiro) desaparece completamente. Estará correto escrever “linguiça”, “sequência”, “frequência” e “quinquênio” ao invés de lingüiça, seqüência, freqüência e qüinqüênio.
- O alfabeto deixa de ter 23 letras para ter 26, com a incorporação de “k”, “w” e “y”.
- O acento diferencial deixará de ser usado, como em “pára” (verbo) de “para” (preposição).
- Haverá eliminação do acento agudo nos ditongos abertos “ei” e “oi” de palavras paroxítonas, como “assembléia”, “idéia”, “heróica” e “jibóia”. O certo será assembleia, ideia, heroica e jiboia.

Pronomes oblíquos

Na fala do cotidiano, no colóquio, é muito comum escutarmos e falamos com amigos de forma coloquial, usando uma norma que não é considerada adequada à reprodução em meios formais. Desse modo, quando vemos uma foto antiga podemos reproduzir períodos como “Nossa, eu vi ela ontem!”. Se analisarmos com minúcia o período exemplificado, notaremos que, segundo a norma culta, existe um desvio na construção: o uso pronome ela. Para se adequar a norma culta, o referido pronome deveria ser subtituído pelo seu oblíquo átono respectivo: a.
Ora, mas o que significa isso?
Os pronomes pessoais são divididos, principalmente, em dois grupos: os retos e os oblíquos; esse último, por sua vez, dividido ainda em tônicos e átonos. Esse fator da língua, tão distante para nós falantes do português brasileiro, é um resquício de declinação nominal que existia no latim; ora, como nosso verbo conjuga dependendo de sua significação, o nome declinava de acordo com sua função no período. Assim, segundo os gramáticos antigos, um pronome que exercia função de sujeito, caía rectus, ou seja, em noventa graus em cima de seu verbo, e aquele que era objeto da expressão verbal caía obliquus ao verbo, isso é, com um ângulo oblíquo em relação ao verbo, como acontecem com as retas em geometria analítica.
Os pronomes oblíquos podem ser tônicos, isso é, com um som forte, ou átonos, com um som fraco. Isso nos remete à reprodução desses pronomes pelos falantes do português europeu, que realmente diferenciam muito a tonicidade desses pronomes. Para nos facilitar, lembre que os pronomes tônicos não sempre precedidos de preposição (como para mim) e os átonos não (como me). Lembre-se que os pronomes oblíquos átonos da língua portuguesa são me, te, se, lhe(s), o(s), a(s), nos e vos; ainda mais os tônicos são mim, comigo, ti, contigo, si, consigo, ele(s), ela(s), nós, conosco, vós e convosco.
Sendo assim, os pronomes oblíquos devem ser usados quando são alvo da expressão verbal, ou seja, se se viu a amiga ontem, isso é, a amiga é alvo da ação de ver, a construção deve ser “eu a vi ontem!”.

O uso dos pronomes oblíquos átonos requere um pouco mais de atenção, já que sua colocação perante o verbo pode variar, gerando o que conhecemos como próclises (pronome colocado antes do verbo), ênclises (pronome colocado depois do verbo) e mesóclises (pronome colocado entre o verbo).
Usa-se próclise a maioria das vezes, já que o português brasileiro é proclítico, isso é, favorece a próclise. Sendo assim, quando há expressão negativa, construções adverbiais, conjunções subordinativas, pronomes indefinidos, demonstrativos e relativos há uso de próclise como em “Quem me busca a essa hora tardia?”.

Usa-se ênclise mais raramente, e em sua maioria em contextos formais. Essa deve ser aplicada quando há um imperativo afirmativo, como em “Vá lá e diga-lhe que quero um barco!”, quando o verbo iniciar a oração, como em “Chamaram-nos cá ontem”, quando o verbo estiver no gerúndio, como em “Despediu-se, beijando-lhe a face”, e ainda quando o verbo estiver no infinitivo regido pela preposição a, como em “Passaram a cumprimentar-se depois daquilo”.

Usa-se mesóclise ainda mais raramente, já que é uma construção praticamente inutilizada tanto na língua coloquial quanto na culta. Ela aplica-se quando existe um verbo no futuro do presente, como em “Far-lhe-ei quando pedir”, ou ainda quando há um verbo no futuro do pretérito; como a excêntrica frase de nosso ex-presidente Jânio Quadros: “Bebo porque é líquido, se fosse sólido, come-lo-ia”.
Atente-se ao uso desses pronomes átonos, mas não force o uso de ênclises para deixar seu texto culto, às vezes pode soar excêntrico como nosso ex-presidente ao dizer “fi-lo porque qui-lo!”, então fá-lo porque o exige!

E se eu usar "se"

E se eu usar esse se? (parte um)
E aí, gente, tudo bom? Gramaticando de hoje tratará de um assunto um pouco mais técnico da área: as possíveis classificações do “se”.
É importante lembrar, inicialmente, que existem palavras aparentemente iguais, mas pertencem a classes morfológicas diferentes. Um caso clássico é o “a”, existindo como artigo (A menina chegou), pronome oblíquo (Ele a chamou) e preposição (Chegou a uma conclusão). Com o “se” ocorre o mesmo, existindo a conjunção (Se eu pudesse, faria) e pronome oblíquo (O homem se perdeu).
Nos exames vestibulares é comum ser cobrada a diferenciação entre os quatro usos do pronome oblíquo “se”. Hoje, falaremos especificamente sobre dois deles: o pronome reflexivo e a partícula integrante (os outros dois usos, Partícula Apassivadora e Índice de Indeterminação do Sujeito, serão explicados no próximo “Gramaticando”).


Pronome reflexivo
“O menino se cortou”
Estão lembrados da voz reflexiva? Ela ocorre quando o sujeito pratica e recebe a ação descrita no verbo, como na frase acima (O menino se cortou), que poderia ser uma paráfrase de “O menino cortou a si mesmo”. Quando o se faz referência ao sujeito da oração, indicando que ele também sofre a ação, ele será um pronome reflexivo e, sintaticamente, classificado como Objeto Direto (uma vez que ele complementa o sentido do verbo transitivo direto cortar, no exemplo supracitado).

Partícula Integrante
“Ele se queixou”
No português existem verbos que pedem a presença de um pronome para que faça sentido, como os verbos: queixar-se, chamar-se (Ele se chama João), acabar-se (Ela se acabou na festa), entre outros. Quando o verbo for pronominal, o se será uma partícula integrante, não tendo função sintática. Note que, diferentemente do pronome reflexivo, o sujeito não pratica e recebe a ação (ninguém se queixa para si mesmo, chama a si mesmo ou acaba consigo).
Resumindo: quando o “se” não indicar que o sujeito pratica e recebe a ação, ele será uma partícula integrante.

Tranquilos os conceitos? Na próxima pubicação, estudaremos a Partícula Apassivadora e o Índice de Indeterminação do Sujeito, que merecem uma atenção maior para a diferenciação.
Obrigado pela atenção, um beijo no coração e até a próxima!

domingo, 22 de maio de 2011

Bom dia, leitores!
Mais uma semana chega ao fim. Na segunda-feira, assisti à aula de redação com certa preocupação. O professor havia nos orientado a fazer um projeto de texto que, segundo ele, evitaria repetições e salientaria a “progressividade textual”.
Ansioso por testar tal método, decidi separar uma hora e meia daquele mesmo dia para produzir um texto. Após selecionar caprichosamente o que seria escrito em cada parágrafo, comecei. No entanto, não esperava que, justo naquele dia, os argumentos teimassem em ficar no plano das ideias. Com esforço, consegui terminar a redação, que ficou parecendo mais um amontoado de frases do que um tecido de palavras. Consequência: o pesadelo da redação voltou.
Sabendo que se trata de um trabalho a longo prazo, agradeço à equipe do POLIEDRO excelentes temas e aulas para que eu desenvolva minha escrita, tendo em vista a importância da redação no vestibular. Agora, me resta parodiar Marcel Proust e ir em busca do tempo perdido.